sábado, 15 de dezembro de 2018

1 poema traduzido de Maiakóvski

Coma abacaxis, engole perdiz
Seus últimos dias se aproximam, burguês.*

Tradução do inglês:

Eat pineapples, guzzle grouse
Your last days draws near, bourgeois.

* A tradução de Augusto de Campos foi feita diretamente do russo. Ao invés de usar "abacaxis", Campos preferiu utilizar a palavra "ananás".

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

3 poemas traduzidos de Macedonio Fernández

Há um morrer

Não me leve até as sombras da morte
Onde minha vida será obscurecida,
Onde só vive sabendo ter sido.
Não quero viver de memória.
Dá-me outros dias como esses na vida.
Oh não faça tão logo
De mim um ausente
E um ausente de mim.
Que você não me leve hoje!
Ainda gostaria de estar em mim.

Há um morrer de alguns olhos
O olhar de amor se volta
E olha somente o viver.
É o olhar das sombras da morte.
Não é a morte libertadora de sorrisos,

Esta é a morte. Esquecendo de olhar nos olhos.


Súplica à vida

Luz da vida
embusteira
inconstante invasão de existência
de brisa amarga
ou embriagante
intumescendo a superfície de sonolência
de um novo século
para a margem do rio
cruel ou sorridente, quem sabia?
a alma frágil
você nos trouxe
na crista de uma quimera.

Os outros óculos
se quiser, leve-os.
Da paixão celestial, o copo
até a borda
tão só nos deixa,
e no maior dos enganos
sempre embalado
por um único sonho
juntos, em qualquer lugar
e à praia de um único suspiro
estão duas almas

leve-nos. Seja.



Eu acreditei

Nem tudo pode alcançar o Amor, porque não posso
romper o toque da Morte.
Mas pouco pode a Morte
se há um coração que ama, o medo diminui.
Nem a morte pode levar muito, pois não pode
levar o medo a um coração onde reside Amor.
Que se a Morte rege a vida, o Amor à Morte.